terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Precious: Based on the Book “Push”

No mesmo dia vi Preciosa e Funny Games.
Logo, imagine voce como minha cabeça está...d:-P

Neste post irei falar do 1 filme, que vi no cinema e ao menos na minha sessao causou diversas reaçoes. É o tipo de enredo que se a pessoa nao for previamente preparada e conhecer a sinopse, ela sai da sessao.
Voce precisa entrar na sala sabendo o que verá.



















Elenco: Mo'Nique , Paula Patton, Mariah Carey, Gabourey Sidibe, Sherri Shepherd, Lenny Kravitz, Chyna Layne.
Sinopse: Claireece Jones Precious sofre privações inimagináveis em sua juventude. Abusada pela mãe, violentada por seu pai, ela cresce pobre, irritada, analfabeta, gorda, sem amor e geralmente passa despercebida. A melhor maneira de saber sobre ela são suas próprias falas: "Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã. Uma história intensa de adversidade e esperança.

Filme tenso. E infelizmente ele nao melhora.

Precious tem 16 anos é negra, feiosa, obesa. Vai pra escola por ser um escapismo, mesmo que nao tenha amizades e nao aprenda coisa alguma.
Na 1 cena a diretora a chama para uma conversa e pergunta se a garota esta gravida. Esta se mantem calada. Na cena seguinte temos o choque inicial: a lembrança de Precious, nos mostrando que foi vitima de estupro pelo proprio pai, que nutria um amor sexual pela filha e evitava a propria esposa.

Precious esta gravida do 2 filho e por ter crescido num ambiente extretamente hostil nunca soube ter iniciativa, sequer tentou se defender quando violentada.

A mae tem ódio da filha, pois pensa que esta seduziu o pai de proposito e a trata de forma extremamente grosseira se referindo a Precious como "gorda", "feia", "burra" e "vadia". 
Passa o dia sentada no sofa vendo tv e comendo enquanto obriga a filha a cuidar da casa aos gritos e ofensas.


Sim, boa parte do filme é um festival de ofensas, humilhaçoes e cenas mostrando de forma explicita os estupros. Ate entao que em um momento parece aliviar um pouco: a diretora da escola indica outra instituiçao de ensino para a garota, na esperança de que ela seja alfabetizada.
Ela começa a frequentar e aos poucos vai aprendendo a ler. Enquanto isso, o filme se desenvolve: conhecemos melhor Precious.


É impossivel nao ter pena. A garota vai bem na escola, porem por ter mudado de instituiçao precisa refazer a entrevista no serviço social para que sua familia continue recebendo os beneficios. 
Temos a presença de Mariah Carrey, morena e bastante sem graça fazendo o papel da mocinha que faz o interrogatorio. Precious é obrigada a omitir os detalhes de sua familia, do contrario ela nao recebe a ajuda mensal.
Coisa que ela nao consegue por ter lembranças frequentes e por sem querer revelar alguns fatos. 


Temos tambem a presença de Lenny Kravitz, que faz um enfermeiro e esta quase irreconhecivel. Aparece bem pouco, mas se voce for avisado antes dá pra reparar.

Enquanto isso Precious aprende a ler, dá luz ao seu 2 filho, briga feio com a mae, perde a guarda da 1 filha (que tem sindrome de Down) e fica sem lugar pra morar, ate que é acolhida pela professora da escola, uma mocinha simpatica que vive com outra mulher.


No final das contas a mae vai atras da filha no serviço social e tenta uma reaproximaçao. Ela nos conta sua versao dos fatos e como nada é ruim o suficiente Precious descobre que é HIV positiva por ter pegado do pai.


Precious é uma garota realmente sofrida. Seu sonho é ser magra, ter a pele clara e um namorado, tres fatores que para a maioria das garotas de sua idade, é algo basico. O que chama atençao é sua personalidade: ela é conformada. Por viver num ambiente de extrema violencia e descaso, acha normal nao ser amada e ter um destino cruel.
Fato que muda aos poucos, quando sua mae conversa com a assistente social e conta tudo que sente desde seu nascimento.


O filme chega a ser perturbador, a cada cena a impressao que se tem é que Lee Daniels fez a sequencia proposital para nos chocar, de modo que cada detalhe foi friamente planejado para causar angustia e ódio. Algumas falas da mae nos dao raiva, sao pensamentos absolutamente retrogados, coisa de ignorante mesmo. Ela chega a jogar a 1 neta que tem cerca de 2 anos no chao, aos gritos "Essa coisa nao faz nada direito! Voce teve esse filho pra me aborrecer!". Ou ainda, quando joga o bebe recem nascido no sofá acusando a filha pelo menino ser a cara do pai. Ele junta diversos fatores que a sociedade abomina e tenta esconder, nos mostrando da forma mais crua possivel. "É isso que acontece e nao ha nada que voce possa fazer pra mudar! As pessoas sao assim!".


Eu nao li o livro, mas tinha noçao por ter pesquisado antes e ter visto a entrevista dela no Late show alguns meses atras.


O que eu achei? Só nao fiquei ainda mais chocada porque estou acostumando, mas a verdade é que quem nao sai da sessao é porque fica curioso o suficiente pra querer saber como ira acabar, porque o filme nao é nada facil de se assistir. É aquela esperança boba de um final feliz ou de que a personagem mostre alguma evoluçao, de que é realmente capaz de superar as dificuldades.


Nao é um filme que eu facilmente indicaria porque certos aspectos dele nao precisam ser vividos ou conhecidos. Voce pode muito bem fingir que nao acontece.
Eu assisti por ser um desafio, sao temas que nao me agradam e eu estava curiosa pra ver o desenvolvimento. Definitivamente nao é um titulo para entreterimento.


Mas sim, compensa. Pra o que se propoe, o filme é genial! Ele te deixa chocado, porem por mais explicito que seja é bem desenvolvido sem ser apelativo. Consegue manter um certo padrao de senso pra nao causar constrangimento, por exemplo. E o mais incrivel: causa risadas.




É o tipo de filme que valhe a pena conhecer.

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