terça-feira, 9 de março de 2010

A Single Man

Sabe desde quando espero para assistir esse filme?
Dia 06/09/2009, que foi quando comentaram no forum.

Estava com expectativas altas, tentei baixar em torrent e foi um alivio quando anunciaram que iria para os cinemas.
Fiquei feliz de pagar por ele e ter a oportunidde de assistir na telona.

Caro leitor, me diga: O que voce faz se estiver em um relacionamento estavel, apaixonado ha 16 anos e a pessoa que voce tanto ama morre?
É isso que o filme mostra.

Mas para te convencer a continuar lendo, vai um aviso: o filme nao é dramatico. Nao te faz chorar.
E de quebra é um dos melhores que ja assisti!

Sinopse: Dilacerado pela recente morte de seu amante de longa data em um trágico acidente, George Falconer (Colin Firth) mantém as aparências, ainda visto por outros como um homem no controle. Mas em um dia crucial em 1962, no ensolarado sul da Califórnia onde ele criou raízes, este professor universitário urbano se vê no limite da sua vida. Ele vai descobrir os ecos do passado no presente e vislumbrar versões alternativas do futuro - incluindo a forte possibilidade de nenhum futuro para si mesmo.


George acorda de um pesadelo, em que ve um homem caido morto na neve, com um carro capotado. 
Num monologo, nos explica: "Eu odeio acordar. Viver tem sido uma tortura, dói de verdade. E como dói! ". Enquanto se arruma argumenta porque odeia tanto acordar. Ele vive num mundo de aparencias, em que nao pode por nenhum instante mostrar o quanto esta triste e solitario com a morte do amado.
Olha pela janela. Ve seus vizinhos, uma familia aparentemente perfeita. Tao perfeita que dá raiva, pessoas sorridentes, felizes, que parecem ter todo o controle da situaçao, como um comercial de margarina. Esse nao é seu ideal, sua raiva é porque ele ve uma certa falsidade em algo que tantos consideram um sonho.


Vai para seu trabalho, viver sua vida. Tem lembranças constantes, a todo momento. Enquanto conversa, enquanto esta em sala, enquanto dirige...George obviamente vive para o passado.


Sua melhor amiga liga, pedindo uma visita. Julianna esta linda, é uma personagem doce, encantadora, compreensiva. Foi abandonada pelo marido apos 4 anos de casamento e tem um filho ja adulto. Mora sozinha e nao faz nada o dia todo.
No fundo ela tem sentimentos por George, queria que eles tivessem casado. Vive argumentando "como seria se fosse diferente!". O amigo sempre argumenta que nao seia diferente, ja que ele vivia para o amado. No fundo Julianna tem ciumes, pois nunca teve aquilo com ninguem, aquele sentimento de amor puro e verdadeiro, de algo tao forte que ate superar parece impossivel.


A trama gira basicamente em torno de George, um professor que a cada dia tenta superar a perda do amado, porem que no fundo nao quer esquecer e vive do passado.
Por algum motivo ele gosta do sofrimento.

O filme cronologicamente se passa em apenas um dia. Um detalhe fundamental nos dá essa informaçao: relogios.
Em todas as cenas tem um relogio, que sao cuidadosamente colocados em algum lugar planejado, em que precisa necessariamente ser mostrado e ficam por um bom tempo em foco, para que a gente saiba exatamente os momentos em que tudo ocorre.


Aspectos tecnicos em geral: as cores sao minunciosamente escolhidas, elas te dizem o rumo que a cena ira tomar, elas refletem o humor do personagem, o tempo. Ha cenas quase apagadas, com tons pasteis fracos. E ha cenas com tons forte, como vermelho, turquesa e preto e branco mesclados.
O uso do close e da camera lenta na maioria das vezes substitui as falas, o diretor nos obriga a perceber feiçoes facias, linguagem corporal, movimentos, as formas os objetos em cena, como sao manipulados, detalhes que normalmente no iriamos notar. 


Ha cenas inteiras sem uma fala sequer. Nao precisa, nao sentimos falta. Só a musica de fundo (que é a mesma do trailer!), o jogo de camera e as cores usadas narram e nos mostram como as coisas aconteceram. E as poucas falas que tem sao otimas, nao ha a minima necessidade de tantos dialogos, os personagens sa bastante reservados e falam o minimo possivel.
E muito uso de flash, especiamente para demonstrar como era a vida deles nesses 16 anos, nos demonstrar porque a vida dele mudou, o que faz tanta falta.


Eu nao diria que é um filme dramatico. Sim, ele é triste mas a maneira como é desenvolvida torna tudo suportavel. É tanta aparencia, tanta preocupaçao em estar sempre bem, tanto fingimento que vai acostumando. O objetivo, como o proprio George diz, é tentar viver o dia, fazer o que precisa ser feito e dormir. 


E Colin Firth esta excelente. Oscar é pouco pra ele! 
Chega no ponto dele ensaiar o prorio suicidio, planeja ate como o corpo deveria cair e a maneira mais confortavel e chique de faze-lo.
Seu personagem é extretamente organizado e sistematico, o que na tela fica ainda mais bonito.







O filme todo tem esse ritmo! Nunca fica cansativo, termina na hora certa e te deixa encantado no final! d:-)
Mesmo com o titulo em portugues sendo o nome de uma novela do SBT..d:-P

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